Vamos supor que você tenha recebido uma sentença de morte.
Só que é uma morte lenta, agonizante, tipo câncer com metástase em todos os cantos do corpo, incapacitante, apavorante, tipo síndrome do pânico, ansiedade extrema, com sofrimento iminente, deprimente, com fim inglório, indigno, humilhante e deplorável, feito um indigente velho, desconsolado e solitário, ninguém pra dar esmola, achando que você é drogado ou mesmo um vagabundo incorrigível ou coisas do gênero.
Pergunto-lhe: adianta ficar angustiado, chateado, triste, sentindo-se injustiçado, com medo de sofrer e morrer ?
- Não adianta nada, não resolve nada.
Então, o que ajuda?
- Agradecer a Deus por mais um dia de vida. E só. Faz o que tem que ser feito, no dia, e nada mais. Você vai ver que um dia após o outro, vai sobrevivendo, aos trancos e barrancos, mas vai sobrevivendo.
Até quando?
- Só Deus sabe. É o que lhe resta nessa vida, que não é lá grande coisa, mas serve pra aprender alguma coisa, e já é bastante o suficiente pra justificar a existência até então.
Você já ouviu falar que ficar revoltado e inconformado com o destino, botar a boca no trombone, protestar tudo e contra todos, resolveu alguma questão ou pendências?
- Nada. E nunca resolveu nada.
Mas você quer resolver alguma coisa? Obter alguma cura milagrosa? Ganhar receita de remédio para suas imperfeições, tipo ignorância, hipocrisia, desonestidade, infidelidade, deslealdade, maledicência, falsidade, teimosia, luxúria, orgulho, vaidade, preguiça, gula, ira, avareza, egoísmo, etc.?
- Deixa pra próxima. Quem sabe... na próxima, você tem mais sorte e saúde até o fim da sua vida, porque essa, meu amigo, já era!