domingo, 6 de janeiro de 2013

66 anos

Você sabe o que é fazer 66 anos e ver que não valeu nada?
Como ser humano, vivo errando em todos os aspectos.
Como pai, sou ausente, não participo da vida dos filhos como deveria.
Como marido, sou uma negação em todos os aspectos.
O chato é saber, depois de tantos anos, que durante a vida toda fui um fracasso total.
Apenas, me tolerava, porque alguma serventia tinha, talvez. Mas depois, quando nada mais restou de interessante ou aproveitável, tornando-me um velho inútil esclerosado e doente, um estorvo, a minha presença se tornou irritante e incômoda, perto de alguém tão brilhante. 
E eu, sentindo-me desconfortável, procuro uma saída elegante: a morte.
Já chega de tanta besteira, de entristecer a todos, traumatizar a todos, porque as cicatrizes da alma que criei nas pessoas, jamais serão apagadas ou esquecidas. Já me falaram que isso vai ter troco!
Peço perdão a todos!
Sei que os erros são irreparáveis, mas já cometi, e se continuar vivo, vou cometer mais ainda.
Chega de erros!
Chega.
Se vou pagar por tudo que já fiz de errado, vou precisar de muitas vidas, repetindo os mesmos erros e outros ainda piores.
Que pena. 
Sempre vou ser um aluno repetente, patinando no mesmo lugar, sem aprender nada do que deveria.
Deus, será que ainda vale a pena perder tempo comigo? 
Esse papo de Deus nunca desiste de você é tão furado... 
Pelo que tenho vivido, Deus já desistiu de mim faz tempo.
Não sirvo pra nada, por que continuar vivendo, incomodando todo mundo?
Que prazer mórbido Deus tem de deixar viver os imprestáveis, assim como a Natureza deixa viver as ervas daninhas, os mosquitos da dengue, o vírus da AIDS, da Influenza, as bactérias patogênicas, as cobras venenosas, etc.?
Nada faz sentido nessa vida. 
Minha vida não faz sentido.
Viver pra quê? Não vem com religião, não, que isso também é um tremendo de um papo furadíssimo, inventado pelos homens com vã filosofia, pra controlar o Império Romano, o Império Otomano, etc.

E agora, José?

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